Continuando a falar sobre arquitetura, entro no meu tema preferido: REVITALIZAÇÃO DE CENTROS HISTÓRICOS.
Primeiramente é necessário esclarecer que o intuito de restaurar edificações em centros históricos não significa que haverá o enobrecimento ou a elitização do local a ser estudado. Esse tipo de pensamento não é correto. A discussão entre alguns estudiosos em relação à revitalização quase sempre está fundamentada na idéia de que esses locais não possuem vitalidade. Na verdade, essas áreas têm uma intensa vitalidade, mas foram ocupadas por grupos sociais de baixa renda ou foram esquecidas pelos proprietários.
A restauração de edificações é um dos principais instrumentos na recuperação de centros históricos, pois auxilia o (re) desenvolvimento e a melhor qualidade de vida da região. Além desses benefícios citados a cima, a recuperação de centros históricos significa melhorar a imagem da cidade, perpetuação da sua história, a criação da identidade social e o melhor de tudo, promovem a reutilização de seus edifícios e conseqüentemente a valorização do patrimônio construído.
Intimamente ligada à identidade, a memória da população funciona como elemento de resgate da história dos lugares a serem estudados. É necessário estudarmos o passado para falarmos de qualquer assunto sobre intervenções futuras. O lapso restante de memória daqueles que presenciaram uma época, devem ser coletados para se compreender a cidade atual.
Portanto, o resgate da memória de uma determinada população – ou até mesmo civilização – é de grande importância para contar a história do lugar, talvez uma totalmente desconhecida.
É notório que as políticas de patrimônio incidem no processo de construção da memória local. Em Santos, por se tratar de uma operação que resgata os edifícios erguidos com o a riqueza trazida pelo comércio do café, essa memória estará intimamente relacionada, não com a história da cidade, mas à desses grupos:
“A classe dominante, quase sempre, tem seu prestígio herdado e, por isso, gosta de preservar e recuperar os testemunhos materiais de seus antepassados numa demonstração algo romântica ou saudosista, constituindo tudo isso de afirmação elitista. Vive-se do passado, das glórias dos outros tempos. A preservação de bens culturais para ela constitui a obrigação de manter viva a memória dos avós.”
Lemos, 1987, p. 31
O importante é ter em mente que a revitalização e a restauração são o resgate da memória social e da cidadania sem a expulsão dos moradores locais criando condições de habitabilidade e bem estar da população em geral. Ou seja, recuperamos para todos, para que estes tenham condições de viver ou reviver seu passado buscando um pouco mais de cultura, educação, moradia digna e lazer porque estes são quesitos de extrema importância no que diz respeito à habitabilidade.
Um link interessante para observamos centros históricos revitalizados.
http://www.skyscraperlife.com/ciudades-y-arquitectura-la/34479-brasil-historico-patrimonio-historico-de-brasil-2-fotos-por-post.html